Como controlar lagartas. Lepidoptera (mariposas e borboletas)

Características:

Seus adultos são chamados de mariposas (noturnos e de cores não aparentes) ou borboletas (diurnos e de cores vistosas), possuem asas membranosas com escamas e aparelho bucal sugador. Suas larvas são chamadas de lagartas e possuem cabeça visível, três pares de patas no início do corpo e pseudopatas no final do corpo.
lagartas mariposas borboletas

São pragas na fase de lagartas que possuem aparelho bucal mastigador. As lagartas podem ser de três tipos básicos de pendendo do número de pseudopatas: lagartas (com quatro pares de pseudopatas), lagartas falsa-medideiras (com dois pares de pseudopatas) e lagartas medideiras (comum pare de pseudopatas).

Danos:

As lepidópteras são somente pragas na fase de lagartas e possuem aparelho bucal mastigador. Ocasionam danos diretos, se alimentam de folhas e podem perfurar talos, flores e frutos ainda jovens e minar as folhas.
Danos lagarta planta

Lagarta causando desfolha (esquerda). lagarta broqueadora do fruto (centro). Lagarta minadora da folha (direita).

a)Métodos culturais:

Uso de variedades resistentes

Rotação de culturas: plantar alternadamente espécies que não sejam hospedeiras das mesmas pragas, para quebrar ou interromper o ciclo de desenvolvimento das mesmas.

Recorrer à policultura em detrimento da monocultura – o aumento da   diversidade leva à criação de vários habitats para predadores, diminuindo a   necessidade de pesticidas, e reduzindo as perdas no caso de ocorrer um ataque de   praga.

Destruição de restos culturais: evitar que esses resíduos vegetais sirvam de hospedeiros para a praga.

Adubação: Uma planta que contém os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento, mostra-se mais resistente ao ataque de pragas.

Cultura armadilha: plantar espécies susceptíveis ao redor ou mesmo no interior da área de cultivo, para atrair os insetos praga para as mesmas e, sobre elas realizar o controle.

Eliminar plantas que estejam ao redor ou no interior da área de cultivo, que possam ser utilizadas pelas pragas como fontes alternativas de alimento e/ou abrigo.

Destruição manual: catar ou esmagar ovos e lagartas encontrados nas plantas cultivadas, evitando o seu desenvolvimento.

b) Plantas repelentes

Afastam algumas lagartas do canteiro de ervas. Alguns metabólitos secundários das plantas, liberados via raízes ou folhas, acabam afastando as pragas. As plantas conhecidas são:

-Citronela (Cymbopogon nardus)

 

-Tagete ou cravo-de-defunto (Tagetes erecta)

 

-Mentas (Mentha sp.)

 

-Coentro (Coriandrum sativum)

c) Feromônios

Existem pelo menos duas estratégias de utilização de feromônios no controle de pragas. A primeira é o monitoramento da praga, que se dá através do emprego de feromônios sexuais e/ou de agregação em armadilhas, e que fornece elementos para que se possa definir quando e onde aplicar medidas de controle.

armadilha feromonio

A outra estratégia visa o controle direto da praga, com o objetivo de manter a sua população em níveis inferiores aos que representam dano econômico. Duas técnicas são empregadas: coleta massal e confusão sexual. A coleta massal consiste em capturar insetos, também por meio de armadilhas, de modo a remover um número significativamente alto de indivíduos da população. A confusão sexual consiste na impregnação de uma área com feromônios sintéticos, visando romper a comunicação entre os machos e as fêmeas, reduzindo assim a probabilidade de encontros e acasalamentos.

c) Controle Biológico

Entre os agentes de controle biológico das espécies de praga da ordem Lepidoptera, encontramos:

Trichogramma sp

Trichogramma sp é um gênero de vespas parasitoides de ovos de inúmeras espécies de praga da ordem Lepidoptera , sendo importantes e reconhecidos agentes de controle biológico em sistemas de produção agrícola. Esse gênero tornou-se um dos grupos de insetos mais utilizados no mundo no controle de lepidópteros em algodão, cana-de-açúcar, frutíferas, hortaliças, trigo, milho e florestas. O ciclo de vida é dividido nas fases de ovo, larva e pupa, que ocorrem obrigatoriamente dentro do ovo hospedeiro, e a fase adulta, que é a única de vida livre.

 

Trichogramma cicli de vida

O ciclo de vida de Trichogramma sp. (ovo – adulto) dura aproximadamente 10 dias. A fêmea faz a sua oviposição dentro do ovo de seu hospedeiro. Dentro de algumas horas, nasce a larva, que se alimenta do conteúdo do ovo do hospedeiro. Desse, sai a vespa adulta, que, de imediato, inicia o processo de busca de uma nova postura para continuar a propagação da espécie.

Cotesia flavipes

É uma das vespas mais utilizadas em programas de controle biológico na cultura da cana-de-açúcar e tem como característica o parasitismo das lagartas da broca da cana (Diatraea saccharalis).

cotesia

A fêmea adulta coloca seus ovos no interior do corpo da broca. As larvas da vespa se alimentam e se desenvolvem dentro do corpo da praga. Em poucos dias a lagarta morre e surgem as massas de casulos de onde eclodirão novas vespas.

Bacillus thuringiensis (Bt)

É uma bactéria que forma esporos e produz cristal protéico durante o processo de esporulação. Essa bactéria ocorre naturalmente no solo, em insetos mortos, água e em resíduos de grãos. Esse patógeno vem sendo usado como bioinseticida há décadas. Os esporos são ingeridos pelas lagartas que adquirem a doença, morrendo 3 a 4 dias após. As lagartas contaminadas podem contaminar outras não afetadas pela aplicação inicial, ocorrendo uma epidemia. Tais insetos são afetados, ou pelas toxinas liberadas pelo esporo no sistema digestivo, ou pela germinação e multiplicação do mesmo, ou ainda pela ação simultânea destes dois mecanismos.

Bacillus

Baculovirus anticarsia

Trata-se de um vírus cujas partículas estão contidas numa matriz protéica, usualmente do tipo poliédrico. A infecção sobre lagarta ocorre, geralmente por via oral ou pela cutícula. Quando a doença se manifesta as lagartas, sofrem um descoloramento, deixando de se alimentar, com pouca sensibilidade aos estímulos externos. Com a morte, elas adquirem coloração amarelada e, depois, preta, desfazendo-se totalmente.

Baculovirus

Elcar

Trata-se do vírus da poliedrose nuclear (Baculovirus heliotis) para o controle da Helicoverpa zea, com possível ação sobre outras espécies do mesmo gênero. Apresenta-se na forma de pó molhável contendo, no mínimo, 4 bilhões de PIB (inclusive do corpo poliédrico), por grama do produto.

d) Defensivos

ÓLEO DE NEEM
O óleo de Neem é um composto natural extraído a frio das sementes da árvore do Neem (
Azadirachta Indica.) É um inseticida totalmente natural, que não polui , não é nocivo à saúde humana, é eficiente no combate a mais de 500 espécies de insetos e ácaros.

EXTRACTO DE FUMO
A nicotina é um alcalóide que se obtém através do fumo (Nicotiana tabacum,) principalmente das folhas; é um poderoso inseticida, devido a sua ação tóxica nos insetos.

EXTRATO  DAS FLORES DO PIRETRO (Chrysanthemum cinerariaefolium)
ESTRACTO DAS FLORES DO PIRETROEl piretro (Chrysanthemum cinerariaefolium) é uma planta da família Asteraceae. As flores são machucadas para obter os componentes ativos, chamados piretrinas. As piretrinas atacam o sistema nervoso de todos os insetos. Quando usadas em quantidades menores, atuam como repelentes. As piretrinas não persistem muito tempo, já que são biodegradáveis, especialmente em contato com a luz.

EXTRATO DE PIMENTA DO REINO
Tem boa eficiência quando é misturada com outros defensivos naturais combatendo  pulgões, vaquinhas, grilos e lagartas.

EXTRATO PIROLENHOSO
O extrato pirolenhoso, também conhecido como ácido pirolenhoso, líquido pirolenhoso ou vinagre de madeira,  é extraído da queima da madeira e atua tanto no controle de pragas como na adubação. Originário do Japão, onde é utilizado há séculos, é um líquido resultante da condensação da fumaça originada da fabricação de carvão composto por mais de 200 substâncias que interagem entre si.

Autor: Miguel Lancho Jiménez


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

-PICANÇO, Marcelo Coutinho – PROTEÇÃO DE PLANTAS: Manejo integrado de pragas. Viçosa, MG – 2010

-PAPA, G. Proteção de Plantas – Métodos de Controle de Pragas e Manejo Integrado. Viçosa, 2010.

– AMTEC BIOAGRÍCOLA -Inseticida biológico a base de Bacillus Thuringiensis

-ISMAN, M.B. Plant essential oils for pest and disease management. Crop Protection, 204 Guilford 2000

-ROEL, A. R. Utilização de plantas com propriedades inseticidas: uma contribuição para o desenvolvimento rural sustentável. Rev. Internacional de desenvolvimento local, 2001

-NEVES, B. P.; OLIVEIRA, I. T.; NOGUEIRA, J. C. M. Cultivo e utilização do nim indiano. Santo Antônio de Goiás: EMBRAPA/CNPAF, 2003. 12 p. (Circular Técnica, 62)

-AGUILAR E. Inseticidas Botânicos: Seus Princípios Ativos, Modo de Ação e Uso Agrícola. EMBRAPA AGROBIOLOGIA. Seropédica – RJ 2005

-VENDRAMIM, J. D. Uso de plantas inseticidas no controle de pragas. In: CICLO

-ABREU JUNIOR, H. Práticas alternativas de controle de pragas e doenças na agricultura. Coletânea de Receitas.EMOPI, Campinas-SP, 1998.

-BARBOSA, F.R.; SILVA, C.S.B. da; CARVALHO, G.K. de L. Uso de inseticidas alternativos no controle de pragas agrícolas. Petrolina: EMBRAPA Semi-Árido. 2006. 47 p. (EMBRAPA Semi-Árido. Documentos, 191)

-MICHEREFF M. F.; GUIMARÃES J. A. Recomendações para o Controle de Pragas em Hortas Urbanas. EMBRAPA. Circular Técnica 80, Brasília, DF Novembro, 2009

-PENTEADO S R. “Defensivos Alternativos e Naturais”

 

 

2 thoughts on “Como controlar lagartas. Lepidoptera (mariposas e borboletas)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.