Como controlar tripes

Características

São pequenos insetos (0,5 a 13 mm de comprimento) da ordem Thysanoptera, de corpo estreito e aparelho bucal sugador. Os adultos possuem asas franjeadas enquanto as formas jovens (ninfas) não possuem asas e têm coloração mais clara. Os tripes apresentam reprodução sexuada e partenogênese (as fêmeas procriam sem precisar de machos que as fecundem), sendo os ovos colocados nas folhas.

Trips

Eles podem ser confundidos com os insetos recicladores da matéria orgânica, os colêmbolas. Entretanto, os colêmbolas possuem maior tamanho e antena maior que os tripes.

Danos e sintomas

São insetos raspadores-sugadores que sugam a seiva das flores, folhas e frutos e são também vetores de doenças. As partes atacadas tornam-se cloróticas, passando depois para uma coloração prateada. As folhas ficam coriáceas e quebradiças e caem, diminuindo a área foliar da planta, ocorrendo também secamento da inflorescência e depreciação dos frutos. As condições favoráveis ao desenvolvimento dos tripes são temperaturas elevadas e baixa umidade. Atualmente, os tripes são considerados a principal praga da cebola no Brasil.

Sintomas danos trip

Para detectar a presença de tripes pode ser usadas bandejas brancas de 24 x 15cm, posicionando-as ao lado de uma fileira, batendo-se levemente, duas vezes, para possibilitar a contagem, em seu interior, tanto de ninfas como de adultos. Também podem ser usadas placas adesivas de coloração azul que atraem e aprisionam tripes, facilitando o monitoramento.

Controle

a) Controle cultural

-Cultivar em talhões, evitando cultivos muito próximos.

-Uso de barreiras vivas ao redor da área a ser cultivada. Podem ser usados o sorgo (Sorghum bicolor), o capim-elefante (Pennisetum purpureum) ou o milheto (Pennisetum glaucum).

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-Produzir as mudas em locais protegidos com tela, distantes de campos infestados com tripes e longe do local definitivo de plantio.

-Manejo adequado do solo

-Realizar uma adubação equilibrada das plantas, com base em análises de solo e/ou foliar.

-Rotação de culturas com plantas não hospedeiras de tripes.

-Irrigação equilibrada evitando o estresse hídrico.

b) Controle biológico
bicho lixeiro

Os principais inimigos naturais dos tripes são as larvas de moscas da família Syrphidae, as larvas de crisopídeos (bicho-lixeiro), as joaninhas e os tripes predadores dos gêneros Scolothrips e Franklinothrips.

c) Defensivos

Calda sulfocálcica + fumo

A calda sulfocálcica é o resultado de uma reação entre o óxido de cálcio (cal virgem) e o enxofre, dissolvidos em água e submetidos à fervura.

Óleo de Nim

Composto natural extraído a frio das sementes da árvore do Neem (Azadirachta Indica.)

Extracto de alho e pimenta vermelha

Dissolver 50g de sabão em 4 L de água, juntar 2 cabeças picadas de alho e 4 colheres (sopa) de pimenta vermelha picada. Coar com pano fino e pulverizar as plantas atacadas.

Autor: Miguel Lancho Jiménez


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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