Como controlar besouros (Coleoptera)

Carácterísticas

Constituem uma ordem de insetos popularmente conhecidos como besouros. Uma importante característica dos besouros é que seu primeiro par de asas é endurecido, conhecidas como élitros, que protegem as asas posteriores. Suas larvas possuem cabeça visível, três pares de pernas no início do corpo ou não. Eles são pragas tanto na fase de larva como na fase adulta e o aparelho bucal é mastigador. Os principais grupos de besouros pragas são:

Vaquinhas (Chrysomelidae)
Vaquilha

Os adultos geralmente possuem corpo colorido, antenas visíveis e causam desfolha. Suas larvas são finas, esbranquiçadas e possuem três pares de pernas e geralmente atacam os órgãos subterrâneos, principalmente raízes. Exemplo : Diabrotica speciosa

Bicudos (Curculionidae)
Bicudo

Os adultos possuem um prolongamento no inicio da cabeça. Suas larvas são esbranquiçadas e não possuem pernas visíveis. Exemplo: Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis)

Serra-pau (Cerambycidae)
 
Serra pau

Os adultos possuem antenas muito longas. Suas larvas são esbranquiçadas, possuem o início do corpo dilatado e broqueiam caule de árvores. Exemplo: Trachyderes thoracicus

Corós (Melolonthidae)
coros

Os adultos são escuros, possuem antenas pequenas, o primeiro par de pernas é próprio para escavação e algumas espécies a cabeça possuem projeções semelhantes a chifres. Suas larvas são esbranquiçadas, possuem formato de “C”, o final de seu corpo é dilatado e elas atacam órgãos subterrâneos, principalmente raízes. Exemplo: Diloboderus abderus

Larva arame (Elateridae)
 
larva arame

Os adultos são escuros, possuem corpo fino, dois espinhos no final da cabeça e quando os seguramos ao tentarem fugir emitem som semelhante ao estalo de dedos. Suas larvas são finas, amarronzadas e atacam órgãos subterrâneos principalmente raízes. Exemplo: Conoderus scalaris

Danos

Os besouros são importantes pragas de produtos armazenados, de plantas agrícolas e florestais, de madeira estocada, móveis e outros materiais. Os Adultos e larvas possuem aparelho bucal mastigador, apresentando grande variação nos hábitos alimentares, pudendo ser:

Desfolhadores: Diferente das lagartas, os besouros deixam buracos arredondados nas folhas atacadas.

Minadores: As larvas penetram no folíolo, fazendo uma galeria entre as duas epidermes, que secam à medida que vão sendo danificadas.

danos besouros controle

Rizófagos: Atacam bulbos e raízes.

Broqueadores dos frutos: destroem parcial ou totalmente o fruto, fazendo galerias. Propiciam a penetração de na galeria, causando apodrecimento da mesma.

Broqueadores de ramos e caules: possuem hábito alimentar xilófago (se alimentam de madeira). Tanto larvas como adultos broqueiam os ramos, abrindo galerias, principalmente. Plantas atacadas apresentam clorose, murcha e há queda antecipada de folhas e morte de ramos. Pode haver exsudação de goma ou saída de serragem pelos orifícios de entrada da broca.

Controle:

a) Métodos culturais:

Rotação de culturas
A rotação de culturas é um trato cultural que tem como meta a minimização do ataque de pragas às culturas e também o aproveitamento residual da adubação. A rotação de culturas é feita a partir da substituição das culturas de uma safra por uma outra em um solo específico, não se plantando hortaliças da mesma família uma após a outra.
Plantas repelentes
Essas plantas, quando plantadas em linhas alternadas às culturas principais, repelam uma série de pragas. São conhecidos os efeitos repelentes das seguintes plantas: alho, arruda, hortelã, tomilho, alecrim entre outros.
Diversificação de culturas.
Diversifique as culturas incluindo mais espécies de plantas. Intercale cultivos ou coloque fileiras de outros cultivos. Misture variedades da mesma cultura.

b) Controle biológico
 
Beauveria bassiana
inseticida biológico beauveria_bassiana

É um fungo entomopatógeno que existe naturalmente nos solos de todo o mundo. A ação desse fungo seria como uma doença na praga, onde seus esporos atingem o inseto e penetram na sua cutícula, colonizando assim os órgãos internos do hospedeiro que para de se alimentar e morre.

 

 
Cephalonomia stephanoderis

Esta vespa é considerada a espécie de parasitóide mais eficiente no controle biológico da broca-do-café.

c) Defensivos

Gasolina para o controle de broqueadores de ramos e caules:
O controle pode ser feito injetando querosene ou gasolina no orifício deixado pela larva, fechando em seguida, com cera de abelha, sabão ou argila.
Calda sulfocálcica
Além do seu efeito fungicida ter ação repelente sobre “brocas” que atacam tecidos lenhosos.
Nim (Azadirachta indica)
É uma planta da família Meliaceae, cuja origem provável é a Índia e o sul da Ásia, onde é muito utilizada para fins medicinais e como pesticida. O óleo das sementes do nim é um inseticida de amplo espectro capaz de atuar contra mais de 418 espécies de pragas,
Piretrinas
O píretro (Chrysanthemum cinerariaefolium) é uma planta da família Asteraceae. As flores são machucadas para obter os componentes ativos, chamados piretrinas. As piretrinas atacam o sistema nervoso de todos os insetos. Quando usadas em quantidades menores atuam como repelentes. As piretrinas não persistem muito tempo, já que são biodegradáveis , especialmente em contato com a luz.
Extrato pirolenhoso
O extrato pirolenhoso, também conhecido como ácido pirolenhoso, líquido pirolenhoso ou vinagre de madeira,  é extraído da queima da madeira e atua tanto no controle de pragas como na adubação.

Autor: Miguel Lancho Jiménez


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

-PICANÇO, Marcelo Coutinho – PROTEÇÃO DE PLANTAS: Manejo integrado de pragas. Viçosa, MG – 2010

-PAPA, G. Proteção de Plantas – Métodos de Controle de Pragas e Manejo Integrado. Viçosa, 2010.

-ISMAN, M.B. Plant essential oils for pest and disease management. Crop Protection, 204 Guilford 2000

-ROEL, A. R. Utilização de plantas com propriedades inseticidas: uma contribuição para o desenvolvimento rural sustentável. Rev. Internacional de desenvolvimento local, 2001

-NEVES, B. P.; OLIVEIRA, I. T.; NOGUEIRA, J. C. M. Cultivo e utilização do nim indiano. Santo Antônio de Goiás: EMBRAPA/CNPAF, 2003. 12 p. (Circular Técnica, 62)

-AGUILAR E. Inseticidas Botânicos: Seus Princípios Ativos, Modo de Ação e Uso Agrícola. EMBRAPA AGROBIOLOGIA. Seropédica – RJ 2005

-VENDRAMIM, J. D. Uso de plantas inseticidas no controle de pragas. In: CICLO

-ABREU JUNIOR, H. Práticas alternativas de controle de pragas e doenças na agricultura. Coletânea de Receitas.EMOPI, Campinas-SP, 1998.

-BARBOSA, F.R.; SILVA, C.S.B. da; CARVALHO, G.K. de L. Uso de inseticidas alternativos no controle de pragas agrícolas. Petrolina: EMBRAPA Semi-Árido. 2006. 47 p. (EMBRAPA Semi-Árido. Documentos, 191)

-MICHEREFF M. F.; GUIMARÃES J. A. Recomendações para o Controle de Pragas em Hortas Urbanas. EMBRAPA. Circular Técnica 80, Brasília, DF Novembro, 2009

-PENTEADO S R. “Defensivos Alternativos e Naturais”

 

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