Jardim Orgânico – Saiba por onde começar!

O JARDIM ORGÂNICO

   Trata-se de uma mudança de paradigma, tratando o jardim como uma entidade viva, usando os meios que a natureza oferece para a manutenção da fertilidade do solo e o gerenciamento das pragas e doenças.Jardinagem sem agrotóxicos

        A jardinagem convencional trata as plantas como objetos que são colocados, podados e ordenados conforme critérios funcionais ou estéticos, sem levar em conta as suas necessidades naturais. Insetos e outros microrganismos são considerados inimigos das plantas e são combatidos com agrotóxicos, que se espalham independentemente das conseqüências. A matéria orgânica que gera o jardim é sistematicamente destruída.  Fertiliza-se com adubos sintéticos que destroem a biodiversidade do solo.


DICAS PARA A JARDINAGEM ORGÂNICA

Desenho do jardim

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 – Escolha preferencialmente plantas nativas adaptadas ao clima  e solo  da área porque estas espécies exigem menos manutenção, uma vez que elas são mais resistentes a pragas e doenças. Há centenas de espécies para escolher com diferentes formas, texturas, e cores para cada tipo de clima e solo.     

– Potencie a biodiversidade do jardim cultivando a maior variedade possível de espécies, o que vai aumentar a presença de inimigos naturais que controlaram as pragas e doenças.

 – Alterne culturas para não comprometer a fertilidade do solo e para reduzir o desenvolvimento de doenças. Não cultive as mesmas plantas no mesmo lugar ano após ano.

               
plantas-rasteiras– Utilize plantas rasteiras para cobrir o solo melhor do que gramado. O gramado requer muita manutenção e uma grande utilização de insumos: irrigação, adubação, poda, escarificação (remoção do solo), controle de pragas e doenças.

– Estude bem as áreas de sol e sombra do jardim. Informe-se a planta é de sombra, semi-sombra ou sol antes de plantar. 

– Use lâmpadas e luminárias solares. Elas são fáceis de instalar, não tem fios e não gastam energia, já que usam a energia do sol.

Irrigação

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-Evite sempre o desperdício de água. É um recurso natural escasso.

-Irrigar no início da manhã ou à noite, nunca ao sol.

-Irrigar conforme as necessidades hídricas da planta. O excesso de irrigação e tão prejudicial como a falta.

-As plantas nativas estão adaptadas ao clima da região, portanto, precisam de pouca ou nenhuma irrigação.

-Utilize um sistema de irrigação adequado às necessidades do jardim. O uso de um programador vai permitir a irrigação automática durante a noite e assim evitar a forte evaporação causada ​​pelo sol.

Adubação

Figura 6: Utilize sempre adubos orgânicos.

– Na jardinagem orgânica o uso de adubos químicos convencionais não é permitido porque desequilibram as plantas e poluem as águas subterrâneas.

– Utilizaremos sempre adubos orgânicos já que fornece lenta, mas continuamente os nutrientes requeridos pelas plantas e promovem o desenvolvimento da flora microbiana e por conseqüência melhoram as condições físicas do solo.

– O excesso de fertilizantes causa um crescimento desorganizado e torna as plantas mais suscetíveis às pragas, como pulgões ou ácaros.

– Retorne ao jardim a matéria orgânica que ele gera. Aproveite os restos das plantas para fazer compostagem.

– Cuide do solo e o considere como um organismo vivo fundamental para o bom desenvolvimento de seu jardim.

Acolchoado

acolchoado– O Acolchoado ou mulching consiste na aplicação de uma camada de material orgânico na superfície do solo.

– Entre suas vantagens estão a diminuição da compactação do solo, a redução das plantas infestantes, a redução das perdas de água, a manutenção da temperatura do solo e a diminuição da erosão.

 – Como materiais que podemos utilizar para o acolchoado temos: casca de pinus, acículas de pino,  folhas,  brita, pozolana  vulcânica, palha, serragem …

Controle do mato

malha-anti-erva– Não utilize herbicidas. Eles, além de ser nocivos para a saúde e a natureza criam resistências nas plantas, tornando cada vez mais difícil e caro o controle do mato.

– Antes do plantio ou semeadura irrigar bem o terreno e espere uns dias até as plantas brotar. Tire então todas as plantas, bulbilhos e rizomas que você encontrar.

– A malha anti-erva é muito útil para o controle do mato, impedindo que as plantas germinem e se desenvolvam.

– O Acolchoado ou mulching é um ótimo método para evitar as ervas daninha. Nunca deixe o solo sem cobertura.

– Também pode cobrir o solo com plantas rasteiras que impedem a germinação das infestantes.


PRAGAS E DOENÇAS

Regras gerais

– Insetos, fungos, bactérias e vírus atacam preferencialmente plantas fracas. Portanto, para prevenir, nada melhor do que ter as plantas bem nutridas, com adubação equilibrada em macro e micronutriente o que fará com que elas fiquem mais resistentes às doenças.
-Comprar sempre plantas de qualidade e sadias em viveiros que tem todas as certificações sanitárias, garantia de que elas não vêm com doenças, pragas ou feridas.
-As espécies nativas são mais resistentes a pragas e doenças do que as espécies exóticas. Escolha espécies adequadas às características do clima e solo do jardim.

jardim orgãnico

– Se uma doença acabou com uma planta não volte a plantar a mesma espécie no mesmo lugar, escolha uma espécie resistente a essa doença. 

– A irrigação deve ser equilibrada. Uma rega excessiva leva à podridão da raiz, além de que as plantas não desenvolvem o sistema radicular e sofrem quando há escassez de água. Evite molhar as folhas e flores para não favorecer o desenvolvimento de doenças. Regue no pé das plantas.

– O excesso de nitrogênio faz as plantas mais atraentes para insetos. A presença de pulgão ou cochinilhas é um sintoma de uma nutrição desequilibrada.

– Recolha e queime as folhas que foram atacadas por doenças. Desinfete as ferramentas de poda para não transmitir doenças de uma planta para outra.

– Há plantas que atuam como repelente natural de pragas. . Por exemplo, sálvia, arruda, alecrim, tomilho, boldo, manjericão ou lavanda.

Controle de pragas e doenças

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-Use o mínimo possível de produtos fito-sanitários e caso você precisar, use somente defensivos naturais. Os produtos fitossanitários:

– Poluem.

– Representam risco para os animais e seres humanos, principalmente as crianças que tudo o que pegam levam à boca.

– Desequilibram o ecossistema e acabam também com os inimigos naturais.

– Pragas e doenças se tornam mais fortes e resistentes.

Empregar inseticidas e fungicidas usados ​​na agricultura orgânica: cobre, Óleo pirolenhoso, Enxofre, Óleo de Nem, inseticidas biológicos a base de Bacillus thuringiensis.

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– Nosso objetivo não deve ser eliminar 100% dos indivíduos, mas manter a praga dentro dos limites aceitáveis​​.
– Realizar podas de saneamento, eliminando as partes das plantas atacadas por pragas e doenças. Não esqueça de limpar bem as ferramentas de poda para não espalhar a doença.
– Armadilhas cromáticas: São placas de cor amarelo ou azul com cobertura adesiva onde ficam aderidos os insetos. As placas se usam para controlar a praga e para identificar o tipo de praga.

O controle biológico

    Todas as pragas têm inimigos naturais que devemos proteger e promover. Colete insetos desse tipo e distribua. A joaninha, por exemplo, come os pulgões e alguns pássaros se alimentam de insetos. Para facilitar a presença dos inimigos naturais coloque grande quantidade de plantas com flores em seu jardim.


 TRANSIÇÃO DO JARDIM CONVENCIONAL PARA UM JARDIM ORGÂNICO

            Um jardim cultivado por anos por meios convencionais não pode se regenerar na hora. Vamos precisar de tempo e trabalho para restaurar o equilíbrio biológico.

                Geralmente, é muito útil adicionar grande quantidade de matéria orgânica, para recuperar o nível ideal de húmus e regenerar a vida microbiana do solo. Comece adicionando generosas quantidades de adubo e esterco, a fim de melhorar a estrutura do solo, aumentar os níveis de húmus e fomentar a biodiversidade.

             Então comece com o manejo orgânico, sendo consciente de que o jardim vai passar algum tempo em desequilíbrio e precisará de um pouco mais de cuidado da sua parte.


Autor: Miguel Lancho Jiménez

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